A paixão do brasileiro pelo automóvel

Pra começar a falar das características únicas desse povo que habita grande parte do hemisfério sul do continente americano não poderiamos deixar de falar de uma de suas grandes paixões, o automóvel. O automóvel tem sido o sonho do brasileiro médio nos últimos 30 anos, tido como símbolo de status e muitas vezes encarado como um passaporte para o melhor posicionamento social, principalmente diante das fêmeas que habitam a terra em que outrora se extraiu o pau brasil.

O brasileiro gosta tanto de automóveis que ele concorda em pagar por eles o valor de sua paixão, e pelo visto, essa paixão vem aumentando a cada dia. Em meados da década de 1990, surgiu no Brasil o conceito de carro popular, que consistia em oferecer incentivos fiscais para que se produzissem veículos de baixo custo e consumo de combustíveis, visando assim popularizar o acesso a esse tipo de produto.

Na época em que foram criados os carros populares, as principais empresas da assim chamada, indústria automobilística brasileira, passaram a fabricar modelos como o Fiat Uno, Chevrolet Corsa, Volkswagen Gol, Ford Ka, entre outros, cujo valor de comércio praticado junto ao consumidor final era de cerca de US$ 7000 (sete mil dólares), que pelo câmbio da época, equivalia a valores entre R$ 10.000,00 e R$ 14.000,00.

A medida que a paixão do brasileiro por esses carros aumentou, os seus valores também aumentaram, até atingir o nível atual em que um brasileiro médio (leia-se mediano, ou quiçá mediocre) paga por um automóvel Fiat Uno a cifra de R$ 23.280,00 (ou US$ 13940, pelo câmbio do dia 03/03/2008).

Imagine-se você, caro leitor, que pode estar lendo esse texto em um país de pessoas sérias, pagando o equivalente ao dobro do preço pelo qual era comercializado um veículo há 10 anos, além de perceber que ao invés de melhorias, o produto atual sequer tem o acabamento do mesmo nível que tinha na época em que foi lançado. E o problema não é só com a FIAT, os outros fabricantes todos apelaram para a mesma “estratégia de mercado” e hoje comercializam veículos dotados de acabamentos inferiores aos que se utilizavam na época em que se consolidou o conceito de carro popular.

Realmente, nós brasileiros temos que nos vangloriar de sermos “apaixonados por automóveis”, como uma campanha publicitária já indicou há algum tempo. Afinal de contas, somos tão apaixonados por eles que concordamos com todas as altas de preços nesse bem de consumo.

E as peças originais? Ah! As peças originais desses veículos sofreram aumentos ainda mais estarrecedores, mas é claro, o que é fazer um mimo para uma paixão?

Pior ainda é quando falamos de veículos usados. Alguém aí, de um país sério, tem veículos que valem mais depois de 10 anos de utilização do que valiam na data em que foram adquiridos, zero km, em suas respectivas revendas? Pois então acreditem, no Brasil um carro popular 1998 custa em reais o mesmo que custava em 1998, chegando inclusive a valer um pouco mais.

É isso aí! O brasileiro gosta tanto de carro que quanto mais ele usa, mais ele vale! É impressionante!

E calma que não é só isso. Numa próxima oportunidade eu falo um pouco mais dessa paixão nacional.

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